Mensagem das autoras

Bem vindos ao blogue.
Esperamos que encontrem por cá ajuda para os vossos problemas ou para resolver as vossas curiosidades.
Caso não encontrem respostas às vossas dúvidas, não hesitem em escrevê-la num comentário, na Cbox ou num e-mail.
Apesar de termos alguns conhecimentos de saúde, não somos veterinárias e não sabemos diagnosticar os vossos coelhos, assim como não compactuamos com negligência. Casos de doença são para os veterinários.
Não pretendemos afirmar-nos como autoridades, mas sim facultar um local onde se possa aprender um pouco mais.

domingo, 30 de novembro de 2008

10 passos para um coelho saudável

Passar tempo com o seu coelho é uma experiência óptima para os dois, que também permite que o comportamento do pequeno se torne familiar para si, facilmente identificando mudanças subtis. Apesar de a maioria dos donos de coelhos não terem conhecimentos médicos, é importante que saibam o máximo possível, pois:
  • É impossível um veterinário saber tudo sobre todas as espécies, e cada animal é único individualmente. Tem de saber o que é normal no seu coelho.
  • Numa situação de emergência pode ter de ser atendido por um veterinário com experiência limitada em coelhos. Quanto mais souber sobre o historial médico e a saúde em geral do seu coelho, melhor preparado está para ajudar o veterinário.
  • Algumas condições clínicas requerem sempre uma ida ao veterinário. Exemplos destas situações são suspeita de infecções bacterianas (olhos ou nariz com corrimento), ossos partidos, temperaturas corporais extremas, sangramentos... Contudo, outras condições não exigem ida imediata ao veterinário, podendo em alguns casos ser controlada. Exemplo disto são diarreias pequenas (um dia de duração). Ainda assim, se não notar melhorias no seu coelho deve levá-lo a uma consulta.

Vamos então fazer uma lista de 10 passos para manter o seu coelho saudável:
  1. Saber algumas coisas essenciais: a amoxicilina (antibiótico de largo espectro frequentemente utilizado) pode ser mortal para os coelhos; os coelhos não devem ser alimentados a partir de duas horas antes de cirurgias; coelhos que sofrem de imobilidade gastro-intestinal não devem ser tratados cirurgicamente a menos que os raios-X indiquem obstrução completa (a taxa de sucesso destas cirurgias é muito baixa).
  2. Aprenda tudo sobre patologias e os seus possíveis tratamentos (incluindo aqueles que não devem ser utilizados.
  3. Observe o seu coelho de perto e aprenda o que é normal para ele: quantidade de ração que ingere, assim como água e feno, preferências de alimentos, forma e quantidade de fezes e urina que expelem por dia.
  4. Compre um termómetro rectal e aprenda a usá-lo, pois é a única maneira de avaliar correctamente a temperatura corporal do seu coelho. A temperatura normal situa-se entre os 38ºC e os 39,6ºC, bastam temperaturas de mais ou menos meio grau para ser indicador de um possível problema.
  5. Saiba qual a cor normal das gengivas. Rosa é normal, vermelho normalmente indica a fase primária de estado de choque e esbranquiçado indica estado avançado de choque, normalmente acompanhado de uma temperatura corporal muito baixa.
  6. Tenha o contacto de um bom veterinário, um bom veterinário secundário (para casos de indisponibilidade do primeiro) e um veterinário de emergência (que pode ser na mesma o primário, caso atenda emergências). Deve assegurar-se de que ele percebe o lugar do seu coelho como um membro da família (apesar de isto parecer óbvio alguns consideram coelhos apenas como “gado”), e diga-lhe sempre que quer perceber tudo o que vai ser feito antes de ele fazer. Veja também se tem opções de pagamento faseado, pois em grandes despesas alguns facilitam esse tipo de pagamento para não ser tão pesado para a carteira.
  7. Em caso de dúvida, consulte o seu veterinário. Se o seu coelho não parece ele próprio, o melhor é ser examinado, pois os coelhos normalmente são muito bons a esconder que algo está errado consigo. Quanto mais cedo consultar o veterinário, melhores serão as hipóteses de o problema ser tratável.
  8. Saiba quais os procedimentos e medicações a serem efectuadas antes de o serem. Não tenha medo de perguntar, pois se o veterinário estiver confortável com o que está a fazer não terá qualquer problema em explicar-lhe. Pergunte-lhe o que o seu coelho tem e como chegou a esse diagnóstico, que medicações e procedimentos está a pensar realizar, quais os riscos associados, quais os tratamentos alternativos e se ele os recomenda, qual a taxa de sucesso do tratamento e quais os riscos associados a um adiamento do tratamento (pode querer obter uma segunda opinião ou avaliar os riscos com calma).
  9. Sempre que possível, permaneça com o seu coelho durante o tratamento, pois pode ajudar a acalmá-lo.
  10. Dê ouvidos ao seu instinto. Em situação de escolha de veterinário, na decisão do procedimento a tomar... Ouça sempre a “vozinha no seu cérebro”.

sábado, 29 de novembro de 2008

Foto 1



Créditos: asaciel.deviantart.com

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Doenças dos coelhos

Doença Hemorrágica Viral (DHV)

Causa: infecção por calicivírus
Transmissão: contacto directo e indirecto (insectos, aves, mamíferos, objectos contaminados, etc.)
Sintomas: pode ser assintomático, mas havendo sintomas poderão ser neurológicos (excitação, falta de coordenação) e/ou hemorragias pelo nariz ou outros orifícios naturais
Manifestação da doença: cerca de 48h após contágio
Prevenção: vacinação (deve ser feita no primeiro mês com reforço no segundo, sendo depois administrada de ano a ano) e controlo de insectos e objectos contaminados
Taxa de mortalidade: 50-100% (os que não morrem continuam a ser portadores da doença e a excretar o vírus durante cerca de um mês)

Mixomatose



Causa: infecção por poxvírus (fibroma de Shope)
Transmissão: principalmente por vectores (mosquitos, pulgas, etc.), mas também por contacto directo
Sintomas: corrimento nasal, olhos congestionados e inflamados com secreção purulenta, edemas generalizados (principalmente em redor da cabeça, como nos olhos e orelhas)
Manifestação da doença: 5 dias a uma semana após contágio
Prevenção: vacinação (a partir de um mês de idade com reforços de 6 em 6 meses) e controlo de insectos
Taxa de mortalidade: é fatal na maioria dos casos (mas não possuo números)

Patologia Dentária - alterações dentárias


Causa:
hereditárias, congénitas ou adquiridas (alimentação, trauma, deficiências durante o crescimento)
Sintomas: dada a natureza reservada dos coelhos, muitas vezes é difícil diagnosticar. Contudo podem ser observadas alterações no comportamento como beberem e/ou comerem menos. Deve-se estar atento pois quando se detecta já se pode estar na presença de infecções ou inflamações graves
Patologias associadas: devido ao relacionamento com outras estruturas anatómicas - abcessos, rinites, sinusites, alterações oculares e alterações neurológicas
Diagnóstico: exame oral completo (podendo ou não levar anestesia) e exames auxiliares (como radiografias)
Tratamento: de acordo com o que é observado o tratamento passa por correcção de um sobrecrescimento de dentes, a excisão de abcessos, remoção dos dentes afectados e outros procedimentos de acordo com o grau de envolvimento de outras estruturas da cabeça
Sucesso da intervenção: depende do diagnóstico precoce, dentição afectada e alterações já presentes

Pasteurelose - infecção respiratória

Causa: infecção por Pasteurella multocida (é uma bactéria comensal, ou seja, habita habitualmente no organismo dos coelhos, mas torna-se perigosa em situações em que as defesas imunitárias estão diminuídas)
Sintomas: alterações respiratórias, abcessos e infecções do sistema reprodutor (abortos, infecções uterinas, orquites e mamites) e em situações mais graves septicemia (infecção generalizada) e mesmo a morte (quando não tratada de imediato e evolui para pneumonia)
Prevenção: reduzir ao mínimo situações de stress/medo, evitar contacto com coelhos “suspeitos”, prevenir o aparecimento de outras doenças que possam fragilizar a sua saúde e, por último, a vacinação
Tratamento: administração de antibióticos

Toxoplasmose

Causa: parasita protozoário designado Toxoplasma gondii (tem o gato como hospedeiro definitivo, e o homem e outros animais como hospedeiros intermediários)
Transmissão: comida ou água contaminada, pulgas e piolhos
Sintomas: febre, falta de apetite, prostração, muita sede, abdómen de tamanho aumentado, emagrecimento, anemia, diarreia fétida de cor esverdeada ou com sangue e convulsões (poderá existir paralisia da região posterior)
Diagnóstico: análise directa (através da identificação do parasita nas fezes) ou indirecta (através de análises ao sangue para detecção de anticorpos específicos)
Tratamento: administração de antibióticos

Sarna - dermatite

Causa: ácaro Sarcoptes scabiei (pode ser transmitido ao homem)
Primeiros sinais de alarme: o focinho do coelho que é geralmente limpo e brilhante, apresenta-se coberto com um pó branco, semelhante à farinha, assim como as suas patas. Isto acontece porque o coelho, ao sentir a irritação produzida pela picada do parasita na cabeça, procura coçar o local
Sintomas: forma crostas duras, de cor amarelo-cinza na cabeça do coelho, principalmente na boca, olhos e nariz, estendendo-se nos casos graves às patas e órgãos genitais. Lábios apresentam-se consideravelmente inchados e o coelho não pode alimentar-se devido à dor e à dificuldade que sente ao mastigar. Com isto o animal emagrece, enfraquecendo até morrer.
Diagnóstico: análise das substâncias presentes na pele do animal
Tratamento: o tratamento deverá ser adequado a cada caso, sendo relativamente fácil se tratado antes da doença atingir a cabeça

Sarna Auricular

Causa: uma infecção parasitária ocasionada por dois parasitas, Psoroptes communis e Chorioptes cuniculis, os quais se localizam dentro do ouvido do coelho
Sintomas: forte irritação, no interior de um dos ouvidos do coelho, seguida de inflamação e formação de uma secreção espessa, que em poucos dias torna-se serosa e amarelada. Com a continuação da doença, há formação de crostas ou escamas de cor amarelo-pardo, aderentes à parte interna da orelha fechando completamente o ouvido do animal, pelo que os coelhos inclinam a cabeça para o lado doente, procurando coçar com as patas a orelha atacada
Tratamento: o veterinário indicará o tratamento mais adequado a seguir

Desinteria - infecção intestinal

Causas: pode ser provocada tanto por amebas como bactérias
Contágio: contacto directo, alimentos fermentados ou sujos, excesso da forragem verde de alimentação, intoxicações alimentares, parasitas intestinais, os alojamentos húmidos e calor intenso.
Sintomas: pêlos em volta do ânus sujos de fezes moles, ventre inchado, perda de apetite, bebem muita água, olhos baços e pêlos arrepiados
Tratamento: reposição de água e sais e antibióticos

Parasitas externos - pulgas e piolhos

Sintomas: queda do pêlo no dorso do animal e na cauda, pois, para atenuar as picadas do parasita o coelho procura coçar as partes atingidas, arrancando ele próprio o pêlo destes locais
Tratamento: desparasitação externa com Advantage 40 (NUNCA usar Frontline) e tratamento das zonas afectadas

Indigestão

Causas: excesso de comida, excesso de ingestão de produtos verdes e posterior fermentação (o que provoca gases) ou ingestão de plantas tóxicas
Sintomas: estômago endurecido e o ventre inchado, agitação e o coelho deixa de comer

Torcicolo ou pescoço torto (head tilt)

Causas: deficiência de Vitamina B, otites, tumor cerebral, AVC, trauma à cabeça ou pescoço, infecções por bactérias e na grande maioria devido a uma infecção parasitária, por E. Cuniculi
Sintomas: o coelho, nestas condições, torce a cabeça para um lado, dando a impressão que os músculos estão continuamente em contracção; o animal anda com grande dificuldade, girando frequentemente sobre um mesmo lado.
Tratamento: o tratamento pode passar por injecções de vitamina B, antiparasitários, tratamento da patologia que originou o torcicolo...

Acaríase

Causa: Psoroptes cuniculi (no pavilhão auricular), Cheyletiella parasitivorax e Listroporus gibbusé (próprios do pêlo)
Transmissão: contacto directo com os hospedeiros infectados, crosta de descamação ou material de cama contaminado
Sintomas: acumular de secreção serosa e de crostas castanhas no pavilhão auricular, áreas sem pêlos, húmidas e vermelhas, torcicolo, arranhões, escoriações, pêlos arrepiados, úlceras de pequena ou grande extensão.
Diagnóstico: a ser feito pelo veterinário
Tratamento: o tratamento deve ser específico e dependente do ácaro em estudo. Receitas caseiras devem ser abolidas pois muitas destas receitas possuem princípios tóxicos.

Anorexia

Causa: patologia dentária, privação de água, temperaturas extremas, dieta não palatável ou imprópria, alteração brusca da dieta, má oclusão, dor, perda de olfacto, stress, distúrbios metabólicos, toxemia, tricobezoar, neoplasia, factores mecânicos que impedem o acesso à comida, mudança brusca de alimentação ou do próprio comedouro ou bebedouro
Sintomas: perda de peso ou deficiência no ganho de peso, susceptibilidade a doenças devido à diminuição de resistência, desidratação, perda de ninhadas e morte.
Prevenção: alimentação limitada (1 ou 2 vezes ao dia) ou administração de uma dieta com alta concentração de fibras
Tratamento: utilização de alimentos adocicados ou os mais aceites, troca dos componentes da dieta e/ou bebedouros e comedouros, administração de polivitamínicos ou esteróides anabólicos, tratamento específico da anormalidade que causou a anorexia

Obesidade

Causa: dieta inapropriada (excesso de ração, falta de feno, excesso de calorias), inactividade
Sintomas: peso exagerado para a constituição óssea, barriga a tocar no chão, papos de gordura no pescoço, camada de gordura à volta do corpo de modo que não se consigam sentir as costelas
Prevenção: alimentação limitada (1 ou 2 vezes ao dia), administração de uma dieta com alta concentração de fibras (especialmente feno em detrimento de ração), obrigar o coelho a exercitar-se
Tratamento: dieta rica em feno e pobre em ração, exercício obrigatório

Encefalitozoonose

Causa: parasita intracelular obrigatório (protozoário), Encephalitozoon cuniculi
Transmissão: contacto da urina com a mucosa oral é a mais importante via de transmissão, embora a contaminação oral-fecal, respiratória e transplacentária também possam ocorrer
Manifestação da doença: esporos aparecem nos rins 31 dias após a inoculação e são excretados na urina até três meses após a inoculação.
Sintomas: retardamento no crescimento, tremores, torcicolo, paralisia, convulsões e morte
Prevenção: utilização de bebedouros tipo garrafas ou automáticos, comedouros apropriados e gaiolas adequadamente limpas
Diagnóstico: exame minucioso do paciente, radiografias do crânio e cultura de secreções otológicas
Tratamento: antiparasitários

Canal lacrimal preguiçoso

Causa: canal lacrimal entupido (poeira, sujidade...)
Sintomas: o coelho chora muito de um ou dos dois olhos
Prevenção: não usar areia como litter, evitar ambiente com poeiras
Diagnóstico: exame do coelho
Tratamento: lavagem com soro fisiológico e massagem do local (durante uma semana, após isso levar imediatamente ao veterinário se os sintomas persistirem)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Vídeo sobre consultas



Neste vídeo uma veterinária inglesa explica quando o coelho deve ser levado ao veterinário e por que razões. Aconselho a verem.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Gravidez psicológica na coelha

O que é a gravidez psicológica

A gravidez psicológica caracteriza-se por um conjunto de sintomas semelhantes ao da gravidez, sem contudo haver concepção e desenvolvimento do embrião. Inclui-se o desenvolvimento mamário e produção de leite, aumento do tamanho da barriga, ganho de peso, alterações de comportamento, etc. A coelha pode começar a construir o ninho com pêlo que tira do corpo, ficar mais agressiva ou mais mansa do que o normal, ficar com a barriga inchada...


O que acontece em situações normais

Como se sabe, a ovulação numa coelha é despoletada por acontecimentos, como por exemplo a presença de um coelho macho (ou outro animal qualquer do sexo masculino). Quando isso acontece, no local do ovário de onde saiu cada um dos óvulos forma-se um corpo que vai ser responsável por produção de hormonas (corpo lúteo). Caso haja fecundação (encontro do óvulo com o espermatozóide) esse corpo lúteo vai continuar a produzir hormonas durante a gravidez. Caso não haja fecundação ele vai regredir ("desaparecer") e deixa de produzir hormonas.

O que acontece numa gravidez psicológica

Numa gravidez psicológica, apesar de não haver fecundação, o corpo lúteo não desaparece. Assim ele vai continuar a produzir hormonas, enganando o corpo que vai reagir como se estivéssemos na presença de uma gravidez normal. Assim vão aparecer os sintomas da gravidez sem ela, de facto, existir.
O que leva a que o corpo lúteo não desapareça ainda está em estudo, mas parece estar relacionado com um complexo situado perto da nuca, chamado complexo hipotálamo-hipófise, que é responsável pela regulação de hormonas, existindo outros estudos que afirmam que o útero está intimamente relacionado com o tempo de existência do corpo lúteo. Outros estudos há que demonstram que situações de stress podem provocar esta situação, assim como ansiedade.

Perigos da gravidez psicológica

A pseudogestação tem um grande perigo: tumores mamários e mamites devido a leite não completamente absorvido. Por isso coelhas em que isto é recorrente podem, na grande maioria dos casos, desenvolver cancro. Além disso podem também ocorrer infecções uterinas que normalmente são detectadas demasiado tarde.

O que fazer

Se as situações forem recorrentes, o melhor a fazer é esterilizar a coelha.


E, citando Isabel Alves:
A gravidez psicológica não tem origens 'psicológicas' mas sim hormonais. Assim, a história do 'aborrecimento', 'vontade de ter filhos' ou 'saudade dos filhos' é perfeitamente absurda [embora muito enraizada e muito 'vox populi']. E a única maneira de as evitar é a esterilização. Ponto final.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Lista dos alimentos para coelho

Provavelmente já muitas vezes teve dúvidas sobre que alimentos devia dar ou não aos seus coelhos. Por isso fica aqui uma lista dos vegetais, frutos e ervas que deve dar, assim como os alimentos que não pode mesmo dar. Caso saiba mais algum que não está na lista, por favor deixe um comentário.

Vegetais


Abóbora (cuidado que é laxante)
Aipo (e folhas)
Alcachofra (só folhas)
Beterraba
Bróculos (só o caule)
Cenoura (e folhas)
Chicória
Courgette
Couve-flor (e folhas)
Couves de Bruxelas
Espargos
Milho-bebé (o normal não)
Nabo (ocasionalmente)
Pepino
Pimentos (vermelho, amarelo e verde)
Rabanete (moderadamente)
Repolho (raramente, pois pode causar viragens digestivas)
Rúcula

(folhas de cor escura em geral não dão problemas, devem-se evitar as de cores claras)

Ervas

Basílico
Calêndula
Camomila
Coentros
Dente-de-leão
Funcho
Hortelã
Lavanda
Merugem
Milfólio
Orégãos
Rosmaninho
Salsa
Salva
Tomilho
Trevo

Frutos

Ameixas
Amoras e folhas
Ananás (apenas um pouco, do tamanho de uma unha cerca de uma vez por mês para ajudar a eliminar bolas de pêlo)
Banana (muita moderação)
Cereja
Kiwi
Laranja sem casca
Maçã
Manga
Melancia
Melão
Morangos e folhas
Nectarinas
Papaia (apenas um pouco, do tamanho de uma unha)
Pêra
Pêssego (evitar dar a casca com "pêlo")
Uvas

Alimentos proibidos

Alface
Alfavaca dos montes
Anémonas
Árvore-da-borracha
Azedas
Batata
Beladona
Camélia
Cavalinha
Cicuta
Dedaleira
Erva-leiteira
Escrofulária-nodosa
Espinafres
Ervilhas
Feijão-verde
Fetos
Giesta
Jarro-dos-campos
Laurisilva
Leguminosas secas (feijão, grão-de-bico, soja...)
Lírios do vale
Meimendro negro
Mostarda-dos-campos
Papoilas
Ranúnculo
Ruibarbo
Tremoço
Trovisco

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Os básicos da alimentação

O que deve um coelho comer? E em que quantidades? Que alimentos se devem dar aos coelhos? Posso dar só ração? Estas são perguntas muito frequentes de quem ainda não sabe como alimentar o seu coelho, por isso aqui fica um texto que espero que esclareça todas as dúvidas.

Introdução

As fibras são vitais para o sistema digestivo dos coelhos, por isso o feno deve ser o principal constituinte da dieta, juntamente com a água. As dietas que consistem principalmente em ração podem levar à obesidade e aumentar os problemas digestivos.
Uma dieta correcta é constituída por cerca de 60% de feno e 20% de vegetais. Isto ajuda não só a uma dieta equilibrada como desgasta os dentes dos coelhos.
Tudo o que seja além disto é considerado uma guloseima e deve ser dado com moderação. Como complementos, deve deixar-se na gaiola uma pedra de sais e outra de cálcio, para evitar deficiências de minerais.
A introdução de novos alimentos deve ser feita gradualmente. Assim, deve dar-se apenas um alimento novo de cada vez (se se notar algum problema torna-se mais fácil descobrir a origem e eliminar o alimento da dieta).
Como apontamento, convém indicar que a cor da urina pode variar com a alimentação, chegando a atingir tons avermelhados.

Dieta equilibrada:
Fibras: > 18%
Proteínas: 12 - 16%
Gordura: 1 - 4%
Cálcio: 0,6 - 1%
Fósforo: 0,4 - 0,8%
Potássio: 0,6 - 0,7%
Zinco: 0,5%
Magnésio: 0,3%
Vitaminas (em especial A, D e E)

Feno


O feno deve estar sempre à disposição, embora alguns coelhos talvez não lhe peguem muito no início. A adição de feno algumas vezes ao dia pode ajudar e a quantidade de ração não deve ser grande para não lhe tirar a fome. É recomendada a introdução da alfafa (ou luzerna) aos coelhos pequenos e, à medida que vão crescendo, a sua substituição gradual por feno normal até que, com um ano, o coelho já não a ingira. A alfafa contém muito cálcio, embora tenha menos fibras que o feno normal.

Água

O coelho deve ter sempre à disposição água limpa e fresca, de preferência em bebedouros de esfera por razões de higiene. O bebedouro deve ser lavado com regularidade para impedir o desenvolvimento de fungos.

Vegetais


Os vegetais são uma parte muito importante da dieta. Uma variedade deve ser dada diariamente para assegurar uma dieta equilibrada. Se o coelho estiver muito habituado apenas a comer ração, a mudança deve ser feita gradualmente, permitindo que o seu sistema digestivo se ajuste. Adicionar à dieta apenas um vegetal de cada vez para que, caso o coelho apresente diarreia ou outros problemas digestivos, seja possível identificar a origem. Os vegetais devem ser bem lavados e só se devem dar os que estão livres de pesticidas.
Em relação à sua introdução, deve começar-se a dar cerca das 12 semanas de vida, em pequenas quantidades e apenas um de cada vez. À medida que vão sendo adicionados novos vegetais, ter em atenção o aparecimento de diarreia e, se se der o caso, retirar o último vegetal adicionado à dieta.

Ração


A ração comercial é altamente calórica. Assim sendo, os coelhos cuja base da alimentação é a ração podem acabar com obesidade e com problemas de saúde relacionados. Contudo, a ração dada em quantidades certas é um constituinte importante da dieta, pois tem vários nutrientes.
Se não sabe como calcular a quantidade de ração ideal para dar ao seu coelho, alguns especialistas sugerem um cálculo simples: deve dar-se a quantidade de ração correspondente a 2 ou 3% do peso do animal. Assim basta multiplicar o peso do seu coelho em gramas por 0,02 e 0,03 e verificar a quantidade de ração que lhe deve dar. Por exemplo, um coelho com 1000g (1kg) deverá ingerir entre 20 e 30g de ração. Contudo,os coelhos pequenos, que estão em fase de crescimento, terão tendência para apresentar maiores necessidades relativas de ração.
A ração deve ser dada preferencialmente uma vez ao dia, mas pode ser dada em duas vezes. Atenção, que o comedouro deve ser retirado após duas horas de disponibilidade, mesmo que o coelho não tenha comido tudo (o que pode ser um sinal de que está a dar demasiada ração ao seu coelho).
Em relação à escolha da ração, deve procurar escolher aquelas que têm apenas uma variedade de granulado, pois evitam a tendência do coelho de "escolher" a comida. A ração deve ter muitas fibras (cerca de 20%), cerca de 14% de proteínas e menos de 1% de cálcio.
Ao introduzir uma nova ração deve misturar com a antiga, começando com cerca de 3/4 da antiga e 1/4 da nova, e ir aumentando gradualmente a razão da nova.

Guloseimas

A fruta é tida como uma guloseima, dado o seu elevado teor de açucares. É recomendada apenas a ingestão de 1-2 colheres de chá de fruta fresca por dia. As guloseimas vendidas em lojas de animais são, geralmente, desnecessárias e nalguns casos posem causar problemas digestivos devido aos elevados valores de hidratos de carbono e açucares. Quando dadas, deve ter-se muita moderação.

Nota: cuidado com plantas ornamentais que possa ter em casa, pois podem ser tóxicas para o coelho. Pela mesma razão, deve ter cuidado quando deixa o seu coelho à solta num jardim.

domingo, 23 de novembro de 2008

O que comprar - os básicos

Agora que já se familiarizou com o que implica ter um coelho anão em casa e já decidiu ter um, vamos então ver as razões de um mini coelho não ser um animal de baixa manutenção.
Abordarei três vertentes de custos (o de criação será tratado num post mais à frente, especificamente criado para falar só sobre esse tema), sendo essas: antes da chegada, alimentação e saúde.

Antes da chegada

Antes do coelho chegar a casa deve ter as instalações completamente adaptadas. Pode optar por ter o coelho em casa ou num local completamente abrigado na rua (nunca deixar o coelho exposto a correntes de ar e muito menos a humidade).

  • gaiola - deve ser uma gaiola com duas partes (um tabuleiro em plástico e uma grade revestida resistente à ferrugem). As dimensões mínimas variam consoantes as exigências da espécie, mas nunca compre nada inferior a 70x40x40 (o ideal é que o seu coelho possa manter-se à vontade em pé em adulto e possa esticar-se completamente). Pode optar por pôr uma rede no tabuleiro de plástico para evitar o contacto com o litter, mas é dispensável. (preço: cerca de €40)
  • comedouro e bebedouro - o bebedouro deve ser de esfera (aqueles parecidos com um biberão) por questões de higiene, nunca uma taça. Quanto ao comedouro deve apostar num de cerâmica pois ele não o conseguirá roer e é suficientemente pesado para não o levantar e espalhar a comida. (preço: cerca de €4 cada)
  • WC - se quiser treinar o seu coelho o ideal é fornecer-lhe um espaço próprio. Estão à venda vários modelos de WC, mas aconselho um de canto pois eles têm mais tendência para urinar nos cantos. (preço: cerca de €5)
  • separador de feno - algumas gaiolas já trazem um separador onde colocar o feno. Contudo, se a sua gaiola não trouxer pode sempre comprar um (mantém o feno num local e evita que se seju e suje a gaiola). (preço: cerca de €8)
  • transportadora - convém que tenha uma transportadora caso precise deslocar o seu coelho. As transportadoras de gatos funcionam perfeitamente e podem ser utilizadas para os transportar em meios de transporte públicos. (preço: cerca de €15)
  • corta-unhas - se optar por cortar as unhas do seu coelho em casa vai precisar de um (ele não vai conseguir desgastá-las o suficiente, por isso ou corta ou manda cortar). (preço: cerca de €6)
  • escova - para evitar que o seu coelho tenha bolas de pêlo no estômago. Convém que tenha um lado macio e um para tirar nós. (preço: cerca de €4)
  • litter - pode escolher o litter de entre aparas de madeira (têm tendência para se colar ao pêlo), carolo de milho (não absorve muito os cheiros), rolos prensados (caros) ou areia (não aconselhável pois pode causar problemas respiratórios). (preço: depende do que escolher)

Alimentação

Um coelho precisa de quatro elementos base na sua dieta, podendo ter extras como guloseimas. Aconselho a que consultem o seguinte tópico sobre a alimentação e doses: Os básicos da alimentação.

  • feno - é a base da alimentação e deve estar sempre presente. Deve comprar feno que pareça estar verde e não com ar de palha. Cuidado com o armazenamento pois deve estar num local arejado e seco (se apanhar humidade apodrece).
  • alfafa - em feno ou cubos, é imprescindível para o crescimento do seu coelho, pois fornece grandes doses de cálcio. Eu opto pelos cubos, acho-os mais práticos e já estão doseados, por isso é só pegar num por dia e dar.
  • ração - não compre do mais barato que encontrar, pois pode levar a problemas intestinais. Se não puder comprar a melhor, então compre uma com um mínimo de qualidade (as rações a granel às vezes têm o problema de contaminação por insectos, eu prefiro comprar de embalagens fechadas).
  • água - sempre, sempre disponível.
  • vegetais - em breve publicarei uma lista dos alimentos que pode dar ao seu coelho. Tenha em atenção que se houver a possibilidade de terem produtos químicos devem ser dados sem casca.
  • fruta e outras guloseimas - podem ser dadas ocasionalmente como recompensa. Eu prefiro optar por fruta como recompensa, pois as guloseimas industriais são altamente processadas e têm diversos aditivos.
  • pedras de sais e cálcio - para compensar deficiências de sais que o seu coelho possa ter.


Saúde

Como é lógico o seu coelho precisa de consultas regulares e vários tratamentos. Segue a lista com preços praticados em certas clínicas que têm especialistas em exóticos:

  • consulta (preço: entre €20 e €30)
  • vacinação - contra mixomatose e DHV (preço: cerca de €15)
  • desparasitação - interna e externa (preço: cerca de €14 por embalagem com várias pipetas)
  • corte de dentes (preço: de €20 a €150)
  • corte de unhas (preço: cerca de €4)
  • castração (preço: cerca de €50)
  • esterilização (preço: cerca de €150)

sábado, 22 de novembro de 2008

Um coelho é o animal certo para si?

Um coelho é o animal certo para si? Antes de pensar em comprar um coelho (e ainda mais antes de o comprar mesmo) é esta a pergunta que deve fazer a si próprio.

Os coelhos são fofos, peludos, parecem peluches e são animais pequenos e não barulhentos, mas isto não é razão suficiente para ter um, pois apesar de serem óptimas companhias eles requerem muito tempo e trabalho (a nível diário). A nível de tempo/tarefas, fica uma pequena lista do “a fazer” diário.
- limpar comedouros e bebedouros
- limpar gaiola
- trocar litter do WC
- exercitar o seu coelho
- providenciar feno, água, ração e legumes frescos
- brincar com o coelho
- total de pelo menos 2h diárias



Se acha que está com uma grande vontade de comprar um coelho, é tempo de fazer outras perguntas a si próprio. O que é que acontece se não as fizer e comprar um coelho porque acha que quer um? Uma coisa comum é que ao fim de poucos meses os coelhos acabam em abrigos ou abandonados em matas ou jardins. Se acha que não tem tempo nem paciência de ler isto, então mais vale começar a pensar em comprar outro tipo de animal (ou melhor, nenhum).

Pergunta 1: Porque quero um coelho?
Se as suas razões se prendem com o aspecto físico, porque acha que é giro ter um coelho, porque quer fazer criação e ganhar pilhas de dinheiro, então um coelho NÃO é para si. Razões plausíveis incluem querer um animal de estimação com personalidade forte e/ou juntar-se ao mundo dos criadores que lutam por melhorar a raça (logicamente que o facto de serem animais giros e que não fazem barulho também se pode incluir, mas não podem ser a única razão). A razão muitas vezes apresentada de “o meu filho quer um e eu quero dar-lhe para lhe incutir sentido de responsabilidade fazendo-o cuidar dele” também não é válida por si só.

Pergunta 2: Quanto tempo tenho disponível para ele?
Se está a passar por uma fase de mudança na sua vida (casamentos, divórcios, novo bebé em casa), se anda a fazer horas extraordinárias no trabalho e não tem ninguém em casa que possa tratar do coelho, talvez devesse adiar a decisão até a sua vida estar estável. O facto de levar um novo animal para casa já é destabilizador o suficiente para ser adicionado a outras situações possivelmente stressantes.

Pergunta 3: Posso albergar o coelho em casa?
Um coelho precisa de correr para se exercitar, precisando para isso de espaço. Quer seja em casa, quer seja na rua (tendo em atenção possíveis plantas tóxicas e temperaturas extremas que podem matar o seu coelho em menos de nada), o seu coelho precisa de ter espaço próprio. Tem de decidir que lhe vai arranjar uma gaiola, uma cerca ou se o vai deixar andar à vontade pela casa. Alem disso tem de ter a certeza que o sítio onde mora permite por lei a existência de animais de estimação (extremamente importante em condomínios). Além disso os coelhos gostam de roer tudo, incluindo fios eléctricos, pelo que não podem estar ao seu alcance (senão corre dois riscos: ficar sem o aparelho e ficar sem o coelho).

Pergunta 4: Os meus filhos conseguem assumir a responsabilidade?
Crianças e coelhos podem ser óptimos companheiros, mas para isso precisam de ter o acompanhamento de um adulto e idade suficiente para entender tudo o que envolve cuidar do coelho, desde a maneira de pegar nele ao facto de eles poderem morder e arranhar. Garanta que tem tempo de supervisionar os seus filhos e de os educar, já que as crianças não podem aprender sozinhas.



Pergunta 5: Como é que os meus outros animais se vão dar com o coelho?
Os coelhos podem dar-se bem com diversos animais. Contudo, um animal que considera a casa como sua pode não levar a bem que um estranho esteja subitamente a tomar conta da casa. Também existem animais potencialmente perigosos para coelhos, como os porquinhos da índia, que são portadores de doenças fatais para coelhos.

Pergunta 6: Tenho possibilidades económicas de sustentar um coelho?
Apesar do que possa parecer, um coelho não é um animal de baixo custo de manutenção. Dependendo de muitos factores, só os custos iniciais podem chegar a centenas de euros (mas pelo menos a 100 chegam com a maior das facilidades), sem contar com consultas veterinárias, vacinações, desparasitações, ração e feno após os primeiros sacos acabarem...

Pergunta 7: Estou disposto a alterar o meu estilo de vida?
Um coelho dá trabalho, e isso implica alterações das suas rotinas diárias e sazonais. Não só existe o factor do trabalho diário como tem de pensar o que fazer com o coelho quando quer viajar. As férias são um grande problema para a maioria dos animais, altura em que a maioria é abandonada. E dado que um coelho pode viver até 10 anos, está-se a comprometer com a possibilidade de ele vir a viver todos esses anos.
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